Há 90 anos foi promulgada uma lei que estabeleceu um direito fundamental para a classe trabalhadora: o salário mínimo. A legislação passou a garantir que, independentemente da qualificação profissional ou da origem social, todo trabalhador e trabalhadora tivesse direito a receber, ao menos, um valor mínimo pelo seu trabalho.

Tratou-se de uma medida profundamente revolucionária para a época, fruto de intensa mobilização dos trabalhadores. Basta lembrar das aulas de história: a escravidão foi oficialmente abolida no Brasil apenas em 1888. Foram necessários quase 50 anos para que o Estado brasileiro reconhecesse, em lei, que quem trabalha precisa receber o mínimo necessário para viver.

O próprio texto da lei afirma que o salário mínimo deveria ser suficiente para atender às necessidades básicas do trabalhador e de sua família, como alimentação, moradia, vestuário, higiene e transporte. No entanto, na prática, a realidade está muito distante desse ideal.

Esse valor é calculado com base nas necessidades reais da população brasileira, especialmente o custo da alimentação. Em Porto Alegre, por exemplo, a cesta básica é a quinta mais cara do país, custando R$ 784,22 — quase metade do salário mínimo atual, de R$ 1.621.

Diante desses números, é fundamental reafirmar: o problema não é a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) nem a existência do salário mínimo. Pelo contrário, esses instrumentos são conquistas históricas da classe trabalhadora e precisam ser valorizados e fortalecidos. O que deve ser analisado com seriedade é o cenário político e econômico do país, especialmente em um ano em que o debate político ganha ainda mais destaque.

Ao observar os últimos governos, uma simples pesquisa é suficiente para identificar quais mandatos efetivamente valorizaram o salário mínimo. Ainda assim, há quem sustente o argumento de que políticas de valorização do trabalhador “quebram” empresas. Essa tese não se sustenta na realidade.

Mesmo diante de dificuldades recentes, como o tarifaço imposto pelo governo Trump ao Brasil, os empregos foram preservados. Atualmente, a taxa de desemprego no país está em torno de 5,2%, um dos menores índices da história recente. Isso demonstra que é possível avançar.

Chegou a hora de dar um passo a mais: garantir um aumento real e digno do salário mínimo, avançar no fim da escala 6×1 e, sobretudo, reduzir a jornada de trabalho sem redução de salários. Essas não são propostas radicais — são medidas necessárias para garantir dignidade, saúde e qualidade de vida à classe trabalhadora.

É possível para quem está no poder. Depende apenas de vontade política.

Luiza Alves é comunicadora

DM TEM DEBATE

https://www.dmtemdebate.com.br/salario-minimo-completa-90-anos-mas-segue-insuficiente-para-viver/